quarta-feira, 19 de junho de 2013
Como andam alguns dos serviços básicos dos nossos Correios?
Por Donarte Nunes dos Santos Júnior


Sou professor, e, para trabalhar com meus alunos em um projeto específico de literatura, recentemente, comprei um livro. Trata-se do conto “A Penúltima Verdade” (de Philip K. Dick) – um clássico da ficção científica. A compra foi feita pela Internet, por meio da “carta registrada” dos Correios. O pacote com o livrinho veio da cidade de Caxias do Sul, que é próxima à capital. Assim, somente dois dias úteis foram necessários para que encomenda chegasse ao seu destino. Eu, porém, só fui dar de mão no embrulho sete dias depois. O porquê disso eu explico abaixo:

O livreiro do qual comprei, vendedor bastante bem recomendado, informou-me, por E-Mail, um número, o tal do “código de registro do correio”, através do qual, é possível, através do site dos Correios, fazer o “rastreamento de objetos” e ver a quantas anda a entrega.

Qual não foi a minha surpresa quando, ao consultar minha encomenda, observei dados que apontavam que já haviam sido feitas três tentativas de entrega, e, como em todas elas, não havia ninguém em casa, o pacote estava esperando para que eu o retirasse em uma das sedes dos Correios, à rua Ernesto Fontoura, 957, na tal da “CDD Zona Norte”.

Indo ao endereço informado aproveitei para reclamar, pois sempre, mas sempre mesmo tem gente em minha “humilde residência”. Então, reclamei ao atendente nos seguintes termos:

- Prezado – falei-lhe –, uma reclamação: sempre há gente em minha casa, e, o site dos Correios, consta a informa que o carteiro tentou por três vezes fazer a entrega, e, em todas, não encontrou ninguém. Ocorre que isso não é possível, senhor...

Ele perguntou:

- o senhor mora em casa ou apartamento?

Respondi-lhe:

- Apartamento.

Questionou ele:

- O prédio tem porteiro?

Repliquei:

- Não.

Concluiu ele:

- É por isso...

Retruquei:

- Como assim?! O prédio não tem um porteiro, mas tem o bom e velho interfone. Basta tocar o interfone, a pessoa que está no apartamento desce, assina o formulário de entrega e pega o pacote... Pronto!!!

O atendente, em tom indiferente, informou:

- Não! O carteiro não faz isso, não toca o interfone. Ele só entrega o pacote se houver um porteiro...

- Ué?! – objetei – Mas para entregar o volume ao porteiro, não deve o carteiro tocar o interfone?! – continuei, então: –  E, uma vez, tocando o interfone, não é só depois de ser atendido pelo porteiro que ele entrega o fardo?! Então – prosseguindo, disse: –, não é a mesma coisa?!

Evasivamente, respondeu o atendente:

- Não. Ele não toca o interfone; deve entregar o embrulho direto ao porteiro. – E, reconvindo, sumarizou: – Porteiro é porteiro, deve estar na porta, por isso o nome é esse: por-te-i-ro...

Achando tudo aquilo muito estranho, argumentei:

- Mas, em se tratando de uma casa e não de um edifício, não toca o carteiro o interfone?!

Como resposta obtive um:

- Sim!!! Toca!!!

- Então?!

- É diferente. Ele só faz isso quando é Sedex.

- Silenciei o diálogo, pois vi que se tratava de um funcionário que já estava com seu “entendimento” cristalizado...

O acontecimento retrata uma lógica bastante ilógica que a instituição tem apresentado em alguns de seus serviços. Em tempos passados, os Correios eram altamente considerados. Tratava-se de um órgão estatal que funcionava muitíssimo bem!!! Hoje, porém, isso tem mudado. Na realidade, o que está por trás disso, e faz tempo, é o desejo, já antigo, de um expressivo contingente de nossos governantes, que ambiciona a privatização dos Correios. Então, trata-se de um setor que, assim como a saúde, a segurança, a educação e outros, está sucateado, funcionando com lógicas incompetentes, esdrúxulas e ridículas. É uma lástima, e, na verdade, um descaso para com os cidadãos.

Na mesma ocasião, uma moça, que estava na minha frente na fila, pois o mesmo tinha acontecido com ela – e, o que é pior: ela não tinha recebido nenhum aviso quanto a isso; só ficou sabendo que o seu pacote estava naquela sede porque havia telefonado para lá –, não pode levar a sua encomenda visto a mesma ter sido “localizada”, já que ela não dispunha do supramencionado “código de registro do correio”.

Sem o tal número, nada feito: o nome, o CPF, o RG e o Endereço, nada serve. Somente o “código de registro do correio” serve para que uma encomende seja “localizada”. Aliás, em virtude disso, eu tive de fazer duas viagens até o local, pois, num primeiro momento, eu também não dispunha do número, e o site não orientava no sentido de que ele devesse ser levado quando da retirada.

Dorme com um barulho desses...

Voltando um pouco à questão do “Ele [o carteiro(a)] não toca o interfone [de prédios que não têm por-te-i-ro]”: questiono-me: “então, se é assim, por que ele(a) tentou três vezes?!”. Se da primeira, ele(a) viu que o prédio não tinha porteiro, para que servem as outras duas tentativas?! Observação: não eram carteiros(as) diferentes. Foi, em todas as vezes, a mesma pessoa que “tentou” fazer a entrega, pois, no envelope, a letra e a rubrica são as mesmas, o(a) tal “L”...

Para concluir, voltemos à questão do “Ele [carteiro(a)] só faz isso [tocar o interfone de prédios que não têm por-te-i-ro] quando é Sedex.”: reflito: quer dizer que a verdadeira lógica que impera é a do: “se eu estou pagando mais caro, então, daí sim, tenho serviços de qualidade”?!

Espero que o presente relato possa servir como uma crítica e/ou colabore para que aqueles que venham a passar por situação semelhante não percam seu sempre precioso tempo.
posted byDonarte N. dos Santos Jr.@quarta-feira, junho 19, 2013  
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A Mitologia Grega...:

- “A Argo: Nave dos Argonautas, construída sob a direção de Minerva, nos bosques de Dodona. O termo significa ‘rápido.’

O Fernando Pessoa...:

- o seguinte poema do escritor português:


Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: "Navegar é preciso; viver não é preciso". Quero para mim o espírito [d]esta frase, transformada a forma para a casar como eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade. É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça. (Fernando Pessoa)



A antipatia a Nietzsche...:

- Parece poder ser possível usar o Nietzsche contra ele mesmo: "Nietzsche vs Nietzsche", pois o que ele escreve, se bem analisado, é contraditório (no mal sentido do termo). Assim, isso é bem possível de ser feito...

A contra-argumentação aos céticos...:

- “Só se poderia negar a validez à demonstração se se provasse, com absoluta validez, que o homem nada pode provar com absoluta validez” (SANTOS, Mário Ferreira dos. Filosofia Concreta. São Paulo: É Realizações, 2009, p. 61).

 

 

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    O Autor

    Nome:
    Donarte N. dos Santos Junior
    Residente em:
    Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
    Formação:
    - É Licenciado em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
    - É Especialista no Ensino de Geografia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
    - É Mestre em Educação em Ciências e Matemática (PUCRS).
    - É Mestrando em Filosofia (PUCRS).
    Atuação Profissional:
    - Foi Técnico em Geoproce ssamento do L/li/liaboratório de Tratamento de Imagem e Geoprocessamento (LTIG) da PUCRS.
    - É Professor da Prefeitura Municipal de Porto ALegre.
    Título da primeira dissertação de mestrado:
    “Geografia do espaço percebido: uma educação subjetiva”, que alcançou grau máximo obtendo nota 10,0.

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