sábado, 25 de julho de 2009
1º semestre – rápida análise: uma “olhadela” para trás para poder olhar para frente!
O semestre terminou. Ao final do mesmo sempre é bom darmos uma “olhadela” para trás. Digo “olhadela” porque é só isso que convém, uma simples e rápida “olhadela”. Se ficarmos olhando muito, corremos o risco de arrependermo-nos demasiadamente de algo ou contemplarmos com satisfação narcisista nossos feitos. Em ambos os casos, ficaríamos presos a um passado que, na melhor das hipóteses, só serve para que, a partir dele, projetemos o futuro e/ou nos resguardemos de cometermos os mesmos erros.

Sempre gostei muito da imagem do deus romano Jano, que tem duas faces; uma voltada para trás, para o passado; e outra voltada para frente, para o futuro. Assim, embora não seja janeiro (que vem de Jano), quero olhar para trás para poder olhar para frente. Faço isso, porém, considerando a face do passado de Jano, menor, diminuída em importância, pois o que está por vir é sempre maior e melhor – quero crer!

Divido minha vida em várias esferas; dimensões especiais para o meu viver. São elas: I – o estudo, II – o trabalho (PUC (pesquisa) e Assunção (educação)), III – a afetividade (família, namorada, amigos) e IV – o espiritual (minha comunidade, a Ars Dei e minha vida espiritual particular). Nesta análise, porém, falarei somente acerca da primeira esfera, o estudo – creio que será mais edificante para o leitor.
Obs.: É que na verdade tenho dificuldade de escrever para todo mundo ler (Internet é o mundo todo) especificamente sobre a minha vida profissional e afetiva. Mas posso garantir que essas esferas me deram enormes alegrias durante o semestre passado: PUC (superiores, colegas, estagiários e bolsistas), Assunção (professores e alunos), família, namorada e amigos: muito obrigado pelo semestre! Espero também tê-los alegrado!


Mas voltemos ao que, penso eu, contribuirá mais com as pessoas:


MESTRADO: foram cinco disciplinas cursadas ao longo das manhãs e tardes das quartas e quintas-feiras, todas as semanas.


Na disciplina da manhã de quarta-feira, com o Dr. Ullmann, elaborei um artigo de 11 páginas que faz uma reflexão perpassando as cosmogonias gregas, a Filosofia da Natureza e algumas questões relacionadas ao atomismo epicurista e ao estoicismo, concluindo sob uma ótica schelliniana (novamente Filosofia da Natureza). A nota final em tal disciplina foi 9,0 (nove), sendo que o professor aconselha a publicação do texto, com algumas correções, é obvio! Tais correções serão feitas nesse próximo semestre.


Na segunda disciplina da manhã de quarta-feira, com o Dr. Draiton, elaborei o projeto de dissertação. Apresentei, então, um texto de 17 páginas, nas quais, proponho como será a pesquisa que pretende versar sobre “O Conceito de Espaço na Estética Transcendental de Kant e na Filosofia da Natureza de Hegel.”. Nota nesta disciplina: 9,5!


Na disciplina da tarde de quarta-feira, intitulada “Conhecimento e Linguagem 21: A Lógica de Hegel: da essência ao conceito”, com o professor Dr. Eduardo Luft (meu orientador), elaborei um texto de 14 páginas, nas quais defendo algumas aproximações pouco usuais entre o conceito de Schein, em Hegel, e alguns mo(vi)mentos presente na Natureza, tais como, a convecção, as explosões (fogos de artifício, especificamente) e as redes (neurais, geográficas, etc.). Esta foi, certamente, a disciplina mais difícil para mim. Houve dias que eu saí da sala de aula tonto, muito tonto, para dizer a verdade. Tamanho era o esforço despendido para entender a Lógica de Hegel; obra estudada ao longo do curso. Nota final!?: 8,5 – é que o professor é exigente (risos); e o texto fraco, receio (sorriso)...


A primeira disciplina da manhã de quinta-feira foi ministrada pelo Dr. Souza, o humaníssimo humanista professor Ricardo Timm de Souza! Nela, tratamos dos absurdos que ocorrem em nossa sociedade; tão absurdos que passam a ser encarados com normalidade! Tudo isso foi feito tendo como ponto de partida a literatura de Franz Kafka! Foi fabuloso! Aprendemos que Kafka é tudo, menos uma leitura a ser feita para espairecer... Kafka é menos ainda uma literatura a ser considerada como fantástica. Kafka é, concluímos, entre outras coisas, o crítico que denuncia a sociedade pós-moderna que sela e lacra a fala com ditos e dizeres totalitários e indubitáveis, desde sempre incontestáveis e dados. Foi incrível, tão incrível que muito pouco eu poderia escrever sobre isso neste blog; o melhor seria conversar com o leitor acerca de.


Na disciplina do professor Dr. Timm, propus-me o desafio de escrever um artigo – havia duas opções: ou se escrevia um artigo, que deveria ser denso, ou se apresentava um trabalho oral, mais simples. Optei pelo mais difícil – masoquista é assim mesmo! Então, elaborei um texto de 15 páginas onde analiso, sob uma perspectiva aproximativa e comparativa, partes do romance Grandes Esperanças de Charles Dickens (escritor que eu amo – e esse é mesmo o termo: amo!) e partes do romance O Veredicto de Franz Kafka (que eu aprendi a respeitar e entender). Tentei fazer isso com base em teóricos da área, especialmente o próprio Dr. Timm (que tem vasta produção na área. Recomendo especialmente: SOUZA, Ricardo Timm de. Metamorfose e extinção – sobre Kafka e a patologia do tempo. Caxias do Sul: EDUCS, 2000.). Finalizei o artigo com a categoria ética da dignidade humana (categoria/ conceito altamente plurívoco).


Partilho que quando comecei a fazer o texto estava confiante. No meio do processo, no entanto, passei da confiança ao temor, e, do temor, ao desespero! Emaranhei-me numa mata filosófica tão densa que pensei que nunca mais iria sair. Aliás, só saí porque pensei! Tive de pensar e pensar muito para concluir o texto, e, à medida que isso foi acontecendo, fui ficando mais calmo. A nota final foi 10,0 (dez!). Fiquei muito, mas muito feliz, e, até agora, estou curiosíssimo para saber qual é a opinião do professor acerca do artigo – semestre que vem certamente falarei com ele.


A última disciplina cursada ao longo das semanas deste semestre – tardes de quintas-feiras – e intitulada “Filosofia da Ciência”, foi também ministrada pelo meu orientador, o prof. Dr. Eduardo Luft. Nela, também optei por fazer um artigo mais denso. Assim, apresentei um texto de 18 páginas que fala sobre as contendas entre Rudolf Carnap e Willard Van Orman Quine, ou seja, o texto vasculha as chamadas tese intensionalista e tese extensionalista. Foi onde obtive menor nota: 8,0. Mas há uma série de explicações para isso (todas elas fracas): (i) este tipo de texto não é nenhuma novidade (embora um texto sempre tenha algo para acrescentar à ciência e à filosofia), já há bastante coisa escrita sobre isso. (ii) foi um artigo de “fôlego”, como chama o PPG da PUC, e, portanto, foi avaliado como tal – e eu, a bem da verdade, fugi do tema “Filosofia da Ciência”. (iii) O professor, acabei descobrindo de uma vez por todas, é ex-tre-ma-men-te exigente... O Dr. Luft é exigente mesmo, bastou eu ver a nota dos outros colegas – o que não vem absolutamente ao caso, mas o fato é que as outras notas também não foram assim tão altas; e isso nas duas disciplinas ministradas por ele. Mas todas estas explicações dadas aqui são fracas, e esta última em especial. A verdade é que houve gente que tirou 10,0 (dez) – nas duas disciplinas dele! Isso encaminha de volta à segunda explicação (que se torna forte): eu fugi mesmo do tema e o texto, embora denso, não ficou lá muito bom...


Ao final do semestre, então, olhando rapidamente para o passado percebo que ele foi singular – como todas as etapas de nossa vida o são, embora não nos apercebamos disso.


Foi singular porque pela primeira vez em minha vida escrevi tanto sobre tanta coisa – foram 75 páginas versando sobre Filosofia da Natureza, estoicismo, epicurismo, atomismo, ética, dignidade humana, o dito e o dizer, Dickens e Kafka, o conceito de Schein em Hegel, dialética, Filosofia da Ciência, as teses extensionalista e intensionalista de Quine e Carnap e um projeto que propõe a pesquisa da evolução do conceito de Espaço em Kant e Hegel. Ufa! É por isso que eu estou mu-i-to, mas mu-i-to cansado! Obs.: lembrem-se que existem as outras esferas, as quais são extremamente exigentes e nas quais eu também tive ótimo desempenho – quero crer, ao menos (risos).


Agora posso olhar para frente!


Mas antes um pequeno descanso... Será que em uma semana eu me recupero?! Aff!
posted byDonarte N. dos Santos Jr.@sábado, julho 25, 2009   0comments
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Algumas ideias que batizaram e permeiam o presente ciberespaço; pensamentos mais ou menos fixos que o autor tem:
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A Mitologia Grega...:

- “A Argo: Nave dos Argonautas, construída sob a direção de Minerva, nos bosques de Dodona. O termo significa ‘rápido.’

O Fernando Pessoa...:

- o seguinte poema do escritor português:


Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: "Navegar é preciso; viver não é preciso". Quero para mim o espírito [d]esta frase, transformada a forma para a casar como eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade. É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça. (Fernando Pessoa)



A antipatia a Nietzsche...:

- Parece poder ser possível usar o Nietzsche contra ele mesmo: "Nietzsche vs Nietzsche", pois o que ele escreve, se bem analisado, é contraditório (no mal sentido do termo). Assim, isso é bem possível de ser feito...

A contra-argumentação aos céticos...:

- “Só se poderia negar a validez à demonstração se se provasse, com absoluta validez, que o homem nada pode provar com absoluta validez” (SANTOS, Mário Ferreira dos. Filosofia Concreta. São Paulo: É Realizações, 2009, p. 61).

 

 

Bem Vindo(a)!!!

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    O Autor

    Nome:
    Donarte N. dos Santos Junior
    Residente em:
    Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
    Formação:
    - É Licenciado em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
    - É Especialista no Ensino de Geografia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
    - É Mestre em Educação em Ciências e Matemática (PUCRS).
    - É Mestrando em Filosofia (PUCRS).
    Atuação Profissional:
    - Foi Técnico em Geoproce ssamento do L/li/liaboratório de Tratamento de Imagem e Geoprocessamento (LTIG) da PUCRS.
    - É Professor da Prefeitura Municipal de Porto ALegre.
    Título da primeira dissertação de mestrado:
    “Geografia do espaço percebido: uma educação subjetiva”, que alcançou grau máximo obtendo nota 10,0.

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