quinta-feira, 7 de setembro de 2006
"Dia da Pátria", entenda melhor
Hino idolatrado e incompreendido

Símbolo nacional ainda é pouco entendido pela maioria das pessoas

por FERNANDA MENEGHEL/ Santa Maria/Agência RBS

"O cara que proclamou a república gritou do outro lado que queria proclamar. Aí ouviram do Ipiranga". A frase é o entendimento de um aluno do 2º ano do Ensino Médio de uma escola de Santa Maria sobre a primeira estrofe do Hino Nacional, que reconta o episódio do grito da Independência. A confusão não é exclusividade dele. Hoje, dia em que se comemoram os 184 anos da Independência do Brasil, o símbolo máximo do patriotismo ainda é pouco entendido. Veja a seguir o significado de seus versos:

Entenda os versos

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Na primeira linha, a letra do hino menciona o Ipiranga. Esse é o nome de um rio (hoje córrego) que fica no bairro de mesmo nome na cidade de São Paulo. Foi às margens do Ipiranga que, simbolicamente, teria sido declarada a Independência do Brasil pelo então príncipe e herdeiro do trono de Portugal, dom Pedro.É justamente a independência o foco da primeira parte do hino. Seria uma tentativa de resgatar a idéia de uma nação que estaria se formando desde 1822. Os ideais da Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade e Fraternidade) são uma referência para as idéias de igualdade, citadas na letra do hino.

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
“Nossos bosques têm mais vida”,
“Nossa vida” no teu seio “mais amores”.
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

O ufanismo era uma tendência forte na época da elaboração da letra do hino, mas o preconceito racial, fruto da escravidão dos negros, era um fato que o país preferia esconder. Exaltar as riquezas naturais do país foi a forma encontrada para alimentar o sentimento de amor à pátria e, de quebra, empurrar para baixo do tapete as vergonhas do preconceito racial.

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta flâmula
– Paz no futuro e glória no passado.
Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Depois da proclamação da República, a bandeira se tornou um símbolo nacional. Ela buscava enaltecer ideais positivistas. As palavras Ordem e Progresso descrevem a sociedade idealizada por esta corrente. Os positivistas eram apenas um dos grupos que lutavam pelo poder depois da proclamação da República. Na divisão dos pães, eles acabaram ganhando o direito de expor suas idéias na bandeira.
  • A interpretação do contexto histórico do hino foi feito por Beatriz Teixeira Weber. Ela fez um estudo baseado no livro A Formação das Almas, de José Murilo de Carvalho. Beatriz é professora de história da Universidade Federal de Santa Maria
  • A letra do Hino Nacional foi extraída do site do Exército

A versão (como ficaria...)

Ouviram do Ipiranga as margens tranqüilas
De um povo heróico o grito estrondoso,
E o sol da liberdade, em raios reluzentes,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante
Se a prova dessa igualdade
Conseguimos conquistar com valentia,
Em teu seio, ó Liberdade
Desafia o nosso peito a própria morte

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio luminoso
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu bonito céu, alegre e claro,
A imagem da constelação do Cruzeiro do Sul se sobressai
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, destemido gigante,
E o teu futuro espelha esta grandeza
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos desta terra és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Deitado eternamente em berço grandioso,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Tu brilhas, ó Brasil, grande flor da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!
Do que a terra mais graciosa
Teus alegres, lindos campos têm mais flores;
“Nossos bosques têm mais vida”,
“Nossa vida” em teu seio “mais amores”

Ó Pátria amada,
Idolatrada
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
A bandeira que exibes estrelada,
E diga o verde-amarelo desta bandeira
– Paz no futuro e glória no passado
Mas, se for preciso lutar pela justiça,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte
Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Saiba o significado (dicionário...)

Ipiranga: riacho localizado em São Paulo, onde foi declarada a Independência do Brasil, por dom Pedro

Plácidas: serenas, tranqüilas, mansas, sossegadas

Brado: grito (o Grito do Ipiranga), clamor

Retumbante: que retumba, que reflete com estrondo, que ecoa, que ressoa

Fúlgidos: que têm fulgor, brilhantes, cintilantes

Penhor: garantia, segurança, prova, valor de uma coisa que dá direito a outra

Seio e peito: alma, interior, coração, âmago

Idolatrada: adorada, venerada

Vívido: que tem vivacidade, ardente, intenso, vivo, luminoso, brilhante, expressivo, significativo

Límpido: nítido, claro, limpo

Cruzeiro: a constelação do Cruzeiro do Sul

Resplandece: brilha muito, rutila, releva-se, sobressai

Impávido: que não tem medo ou pavor, destemido

Colosso: enorme, gigante, estátua descomunal

Espelha: retrata, reflete, deixa ver

Fulguras: brilhas, resplandeces

Florão: ornamentação de ouro e/ou pedras preciosas no centro de uma coroa

Garrida: alegre, brilhante, viva, elegante

Lábaro: bandeira (estandarte), a Bandeira Nacional (estrelada)

Verde-louro: verde-amarelo

Flâmula: bandeira

Clava forte: arma forte (a guerra)

(FONTE: Disponível em: ZERO HORA digital - Porto Alegre, 07 de setembro de 2006. Edição nº 14989 -. Acesso em: 07 set. 2006.)

posted byDonarte N. dos Santos Jr.@quinta-feira, setembro 07, 2006   0comments
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Algumas ideias que batizaram e permeiam o presente ciberespaço; pensamentos mais ou menos fixos que o autor tem:
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A Mitologia Grega...:

- “A Argo: Nave dos Argonautas, construída sob a direção de Minerva, nos bosques de Dodona. O termo significa ‘rápido.’

O Fernando Pessoa...:

- o seguinte poema do escritor português:


Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: "Navegar é preciso; viver não é preciso". Quero para mim o espírito [d]esta frase, transformada a forma para a casar como eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade. É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça. (Fernando Pessoa)



A antipatia a Nietzsche...:

- Parece poder ser possível usar o Nietzsche contra ele mesmo: "Nietzsche vs Nietzsche", pois o que ele escreve, se bem analisado, é contraditório (no mal sentido do termo). Assim, isso é bem possível de ser feito...

A contra-argumentação aos céticos...:

- “Só se poderia negar a validez à demonstração se se provasse, com absoluta validez, que o homem nada pode provar com absoluta validez” (SANTOS, Mário Ferreira dos. Filosofia Concreta. São Paulo: É Realizações, 2009, p. 61).

 

 

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    O Autor

    Nome:
    Donarte N. dos Santos Junior
    Residente em:
    Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
    Formação:
    - É Licenciado em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
    - É Especialista no Ensino de Geografia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
    - É Mestre em Educação em Ciências e Matemática (PUCRS).
    - É Mestrando em Filosofia (PUCRS).
    Atuação Profissional:
    - Foi Técnico em Geoproce ssamento do L/li/liaboratório de Tratamento de Imagem e Geoprocessamento (LTIG) da PUCRS.
    - É Professor da Prefeitura Municipal de Porto ALegre.
    Título da primeira dissertação de mestrado:
    “Geografia do espaço percebido: uma educação subjetiva”, que alcançou grau máximo obtendo nota 10,0.

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