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CONSIDERAÇÕES DE CUNHO GENERALIZANTE ACERCA DAS DIFICULDADES DO SER PROFESSOR |
*Dia dos Professores*, 15 de out, 2017.
Por Donarte Nunes dos Santos Júnior
AS DEZ (10) DIFICULDADES COM AS QUAIS SE DEPARA O PROFESSOR
Em busca do *Caminho do Meio*
Ser professor não é fácil. É profissão que levamos conosco, como que encravada na carne, para todas as partes e lugares por onde vamos. Também somos tomados e considerados como *professores* em todas as esferas de nossas vidas, na esfera espiritual, na esfera afetiva, na esfera emocional, na esfera financeira, na esfera sociológica, na esfera psicológica e até na esfera biológica, pois, em quaisquer destas dimensões da vida, se (1) estamos certos, não fazemos mais que nossa obrigação, já que "sabemos tudo". Se, pelo contrário, (2) estamos errados, e tomamos uma atitude equivocada, ouvimos, de pronto, um sonoro "logo você, um "pro-fes-sor?!".
Tendo (3) opinião "fraca" e "permissiva", os professores são considerados "frouxos" e que não sabem educar; tendo (4) opinião "forte" e "incisiva", de igual modo, são acusados de não saberem educar.
Há os que dizem (os entendidos (a)) que (5) não devemos nem mesmo ter "opinião", temos somente que "professar" – às vezes nomeiam isso, absurdamente, de “professorar” –, isto é, apenas "repetir" o que "autoridades reconhecidas", "livros" e "enciclopédias" já divulgaram em suas publicações. Há os que pensam que (6) professor que não se “posiciona”, de novo, conforme "3", acima, é "relapso".
Aliás, conforme "a", acima, (7) todos ou muitos sabem mais acerca da educação que os próprios professores. Todo mundo se mete na educação: economistas, sociólogos, psiquiatras, padres, pastores, policiais, advogados, engenheiros, publicitários, e, o que é pior, até políticos (b) e a "Mídia" (c), em geral...
Assim, como se disse acima, não é fácil ser professor porque (8) ninguém pergunta ou leva em consideração os entendimentos dos professores quando análises e/ ou reformulações são feitas na educação.
Pode-se dizer, ainda, que não é fácil ser professor, mas, se bem considerado, ver-se-á que essa é a menor da dificuldades, porque (9) o professor não e respeitado por um grande número de estudantes; também pudera, basta se retomar "7", acima, com destaque para "b" e "c", o que é hodiernamente funesto, vil e abjeto.
Finalmente, não é fácil ser professor porque os "modi operandi" da profissão não possuem um único "modus operandi". Assim, (10) professor tem que se reinventar todos os dias, bem como, reinventar as suas didáticas e pedagogias, visto que o objetivo imediato é do garantir e avaliar se o aluno está aprendendo, e, como são múltiplas as formas de como isso se efetiva epistemologicamente, múltiplas devem ser as abordagens do professor.
Parece mesmo que a tarefa do professor é a de encontrar o verdadeiro *caminho do meio*, noção que era apregoada pelos gregos, sobretudo quando o assunto era a urgência em se salvaguardar a cultura de uma civilização.
Sobre isso nos fala Bacon (2002) quando analisa o mito grego “sonho de Ícaro” ou “Ícaro alado”. Conforme o autor do Novum Organum, “É uma parábola fácil e conhecida. O caminho da virtude segue reto entre o excesso, de um lado, e a carência, de outro.” (p. 87). Ainda segundo Bacon (2002), quando este analisa as mensagens por detrás da “Odisseia” (ou “Ilíada”), de Homero, e as consequentes aventuras pelas quais passou Odisseu (ou Ulisses) quando este deveria fazer a:
“passagem entre Cila e Caribdes (moderação no intelecto), certamente é necessário ter muita perícia e boa sorte para vencê-la. Pois se o navio se aproxima de Cila, quebra-se nos rochedos; se se aproxima de Caribdes, é sugado pelo torvelinho. Essa parábola nos leva a considerar (e só a examino de passagem, embora sugira reflexões infinitas) que em toda forma de conhecimento e ciência, bem como em toda regra ou axioma a eles pertinente, cumpre manter o meio-termo entre o excesso de especificidades e o excesso de generalidades – entre os rochedos e o torvelinho, famosos pelo naufrágio de engenhos e artes.” (p. 87-88)
Assim, aqui reside, nossa derradeira dificuldade, qual seja, a de se colocar entre o “Sol” e o “oceano”, entre “Cila” e “Caribdes”, a de encontrar um *caminho do meio*, enquanto passamos pelas dez (10) dificuldades acima elencadas. Assim , devemos seguir, nós professores, exercendo com o *equilíbrio* necessário a nossa profissão, e, tal como Ícaro, seguir “sonhando”, sem sermos ingênuos; tal como Odisseu, seguir lutando, sem sermos truculentos; tal como o exposto acima, estarmos até mesmo entre um “Ícaro” e um “Ulisses” em prol da Educação.
REFERÊNCIAS
BACON, Francis. A Sabedoria dos Antigos. Tradução Gilson César Cardoso de Souza. São Paulo: UNESP, 2002. Título original: Wisdom of te Ancients.
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Por SANTOS JÚNIOR, D. N. dos - domingo, outubro 15, 2017   |
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